|
 |
Revista Somando |
| Revista Somando > J. O. Nogueira Leiria: poeta e tradutor do Martín Fierro |
| |
| História |
| J. O. Nogueira Leiria: poeta e tradutor do Martín Fierro |
*Paulo Monteiro Velho BlauVelho Blau, tu não me ensinaste nem estradas nem atalhos… Eu já ensilhara às margens do Uruguai, sacudira o pala nas areias do Ibicuí (tão alvas como o pala…) e sesteara à sombra fresca dos imensos pinheirais… Vira serranos com violas castigadas, castigando;fronteiristas de alma aberta como a alma da paisagem, apontando, em gesto largo, para todos, o seu rancho:missioneiros tranqueando com taperas dentro da alma, cortando cargas de minuano com o peito… E chinocas roubando sol para seus lábios, seduzindo, seduzindo… Mas, ah! Meu bom velhito, velho Blau, tu me ensinaste, ah! tu me ensinaste o amor que vem da terra para nós de nós volta para a terra… João Otávio Nogueira Leiria nasceu em São Francisco de Assis no dia 25 de junho de 1908 e faleceu em Porto Alegre em 25 de fevereiro de 1972, após seis meses de internação no Hospital Ernesto Dornelles, na tentativa de recuperar-se de uma cirurgia de câncer na coluna dorsal. Filho de Lodônio Nogueira Leiria e Isolete Nogueira Leiria, ficou órfão de mãe muito cedo, mas teve cuidados especiais do pai. Viveu seus primeiros tempos na Estância do Recreio, mudando-se depois para a Fazenda da Boa Vista, em seu município natal. Ainda menino, conheceu a campanha e os cerros missioneiros, tropeando ao lado do pai. Ao redor do fogo, nas pousadas de tropeiro, ouviu histórias de velhos gaúchos. Mais tarde, no poema "Velho Blau", incluído em seu primeiro livro (Campos de areia, Porto Alegre: Globo, 1932), dialogou com a personagem maior de Simões Lopes Neto, orgulhoso de conhecer a geografia do Rio Grande como tropeiro antes de ler o "maior dos regionalistas brasileiros", na opinião de Alfredo Bosi.Em página que lhe dedicou, Cyro Martins lembra a presença de J. O. Nogueira Leiria como estudante, em Porto Alegre, passada a Revolução de 23. Recorda que os campos de areia que ele tanto amava ensanguentaram-se com as revoluções de 23, a Coluna Prestes e as guerrilhas de 24 e 25, o que ficou retratado nos oito poemas que constituem "Escaramuças", a primeira parte de Campos de areia – Poesia Crioula. Na capital dos gaúchos, entre os jovens intelectuais, João Nogueira Leiria era conhecido como "o poeta". O futuro autor de Porteira fechada testemunhou a confecções dos versos desse primeiro livro do poeta de São Chico. Os poemas inseridos em Escaramuças refletem o espírito da época em que foram escritos. Por isso tocavam no mais profundo da alma de Cyro Martins.À época em que publicou Campos de areia conheceu Maria Constança Cezar Barradas, com quem casou aos 25 anos. O casal teve cinco filhos.Casado, retornou à terra natal, ingressando no serviço público municipal. Iniciou o curso de Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 1938 transferiu-se para a capital com a família, ingressando m ano mais tarde como inspetor federal de ensino do Ministério da Educação. Em 1940, concluiu o curso de Direito. Advogou durante algum tempo, sendo designado, algum tempo depois, procurador fiscal do Estado. Em 1967 foi designado diretor da Procuradoria do Estado, cargo em que se aposentou.Do ano em que se formou em Direito até quase 30 anos depois trabalhou também como jornalista no Correio do Povo, escrevendo para diversos outros periódicos. Em 1968 a Editora Sulina, de Porto Alegre, publicou Rincões perdidos, segundo livro do poeta. Em 1972, dentro das comemorações do centenário de publicação de "El Gaúcho Martín Fierro", de José Hernandez, a Editora Bels, de Porto Alegre, publicou a tradução do Martín Fierro, levada a efeito por J. O. Nogueira Leiria. O poeta, que trabalhou durante 20 anos traduzindo os versos do maior poema gauchesco, morreu pouco tempo antes, sem ver seu trabalho em letra de forma.João Otavio Nogueira Leiria foi reconhecido como um dos grandes poetas gauchescos de língua portuguesa pelos seus pares e considerado o maior deles pelo jornalista Carlos Reverbel, pesquisador e conhecedor da gauchesca brasileira. Campos de areia, como a maioria dos livros de autores rio-grandenses de sua geração publicados nas décadas de 20 e 30, é um livro de transição entre o realismo, o simbolismo e o modernismo. Quando os poetas optam pelo verso livre, via de regra, mantém um esquema rítmico muito próximo dos poemas metrificados. Rincões perdidos, de 1968, recupera os versos metrificados, máxime a forma fixa dos sonetos decassílabos. "Estância velha", a primeira parte deste livro, é uma coleção de quarenta e cinco sonetos, rigorosamente metrificados, contando a história de uma estância. Transcrevo o primeiro deles:IGuardo da Estância esta impressão [distante: a casa branca, no alto, entre arvoredos. Em frente, a sanga límpida e cantante, a bordar, rumo ao rio, amplos varzedos. Madrugadas de aroma estimulante vão armando arrebóis, como arremedos de afrescos, cujas tintas o levante compõe e decompõe, em mil enredos. Vem um peão fazendo a recolhida: entra a tropilha em forma na mangueira, como sinal para iniciar-se a lida. Boçais à mão para pegar cavalo! Ouvem-se vozes, risos e a ligeira sonância das esporas, de intervalo. J. O. Nogueira Leiria, entre os gauchescos de língua portuguesa, é o maior estilista. E se não está acima de Aureliano de Figueiredo Pinto, de quem foi amigo e comparsa de leituras recíprocas de poemas, do ponto de vista estritamente estético, pode formar lado a lado com os grandes clássicos da língua portuguesa.Levou ao extremo esse cuidado com o fazer poético, tanto que trabalhou duas décadas traduzindo "Martín Fierro", poema escrito em poucos meses por José Hernandez. A importância desse trabalho foi reconhecida por José Salgado Martins, seu conhecido e admirador desde os tempos das repúblicas estudantis, em termos como estes: "Imagino o quanto de engenho e mesmo de inspiração poética não custou ao tradutor para vencer as dificuldades da tradução. Somente a sua vocação, a sua intuição, a sua vivência dos motivos e dos temas gauchescos, a par do conhecimento profundo da vida e dos costumes da gente da nossa campanha, permitiram que levasse a bom termo a bela aventura literária. Pois, a tanto, isso importou pelas perplexidades perante as quais, não raro, se deteve para depois superá-las"Transcrevo parte dos justamente famosos conselhos de Martín Fierro a seus filhos, na tradução de J. O. Nogueira Leiria:Os irmãos sejam, unidos – é lei que sempre vigora; sempre tenham, tempo a fora, união de sangue e ideia; se houver entre eles peleia, a gente estranha os devora. Respeitem sempre os anciãos, – burlá-los não é façanha; se andarem com gente estranha, devem ser mui precavidos, pois por iguais serão tidos se a maus fizerem companha. A cegonha quando velha, perde a vista; então procura cuidá-la, na desventura, a prole a que deu o ser: devem, portanto, aprender este exemplo de ternura. Se uma ofensa lhes fizerem, mesmo a lançando no olvido, vivam sempre prevenidos: pois que há de suceder que terá mal a dizer quem quer que os haja ofendido. *Ex-presidente da Academia Passo-fundense de Letras e membro do Instituto Histórico de Passo Fundo
|
| |
Voltar para o índice da Revista Somando |
|
|
| |
|
|
 |
| |
|
|
|
|
|
|
 |
| 07/09/2010 - 11:30 |
UM ABRAÇO AOS AMIGOS GAÚCHOS DE SANTOS - SP |
SOU DE CARAZINHO-RS, ESTAMOS EM SANTOS - SP, ESCUTANDO A PLANALTO FM VIA INTERNET, MANDO UM ABRAÇO AO AMIGO VANDERLEI, POPULAR FAUSTÃO
JUAREZ DE ABREU COSTA |
| Nome: Juarez de Abreu Costa |
| 05/09/2010 - 11:31 |
familia que ouve |
ola somos uma familia que escuta todos os dias a radio planalto a mais gaucha , a sintonia naõ muda toada a programação é muito respeitada abçs |
| Nome: ari oliveira |
|
 |
|
| |
|
| |
| Enquete |
|
|
|