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| Revista Somando > A consolidação do agronegócio |
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| A consolidação do agronegócio |
Revista Somandocenário pós-criseNo início deste ano muitas pessoas tentam vislumbrar os horizontes da economia do país.Para alguns, o agronegócio está em crise. Outros afirmam que a crise financeira já foi superada e que o país voltou a crescer.No agronegócio regional aponta-se a importância dos recursos preferenciais: o milho, a soja, a carne de frango, a celulose e, ultimamente, o etanol e o biodiesel.Nesse contexto procura-se interpretar a Expodireto de Não-Me-Toque. O presidente da feira, Nei Mânica, através dos números, ressalta a importância do evento. A revista Somando apresenta o ponto de vista de vários especialistas, pesquisadores e políticos. Segundo os depoimentos, a economia regional vem dando sinais de revitalização. As novas tecnologiasNote-se que o crescimento do agronegócio se deve também aos novos conhecimentos e tecnologias gerados nas universidades, nas empresas e instituições de pesquisa. Na região merece ser destacada a contribuição da Faculdade de Agronomia da UPF e da Embrapa-Trigo.Agora se discutem os parques científicos e tecnológicos como ambientes voltados à inovação tecnológica. Pergunta-se: "Como os setores da economia regional poderão se beneficiar dessas novas tecnologias?"Outras questões começam a ser colocadas: Como a região poderá atrair novos investimentos? Ressalta-se a importância das visitas e intercâmbios com instituições congêneres. Nesse sentido, a feira vem se internacionalizando. Trata-se de uma visão de futuro.
Expodireto Cotrijal: origem, evolução e importância* Elmar Luiz FlossIntroduçãoNos dias 15 a 19 de março de 2010 será realizada a 11ª. edição da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). Trata-se de uma das maiores exposições/feiras do agronegócio realizadas no Brasil, ao lado do Show Rural Coopavel (Cascavel-PR) e da Agrishow (Ribeirão Preto-SP). A denominação Expo (exposição) + direto (plantio direto) não é por acaso. Para entender seu significado precisamos examinar o contexto em que foi projetada, ainda na década de 90, e os objetivos buscados com o evento, já plenamente alcançados durante as dez edições já realizadas.Com certeza, a Expodireto Cotrijal contribuiu enormemente com a evolução do agronegócio regional, não apenas consolidando o sistema plantio direto (SPD), através do aumento do rendimento das culturas, da integração da lavoura-pecuária, da melhoria do ambiente, mas, especialmente, no aumento da rentabilidade da propriedade. OrigemCertamente, a maior revolução ocorrida na agricultura brasileira, nos últimos 30 anos, foi passar do plantio convencional para o Sistema de Plantio Direto (SPD). O preparo convencional do solo, com cultivo de inverno e verão, realizado na década de 70, provocava perdas de solo, por erosão, absolutamente inaceitáveis. Diante dessa grave situação, instituições como a Faculdade de Agronomia/UPF, Embrapa Trigo, Ministério da Agricultura, Secretaria da Agricultura-RS e Fecotrigo, com apoio da ICI (Companhia Imperial de Indústrias Químicas), realizaram nos dias 14 a 19 de agosto de 1978 o 1º. Simpósio de Conservação de Solos do Planalto, em Passo Fundo. O objetivo era avaliar as causas da erosão, seus efeitos e a busca de soluções. Então a implantação do plantio direto era preconizada. Como resultado do evento foi criada a Comissão Estadual Coordenadora do Programa Nacional de Conservação de Solos do Estado do Rio Grande do Sul (CESSOLO/RS). Em 1980, foi realizada a segunda edição desse Simpósio e a terceira edição ocorreu em 1984, juntamente com o I Simpósio de Manejo do Solo e Plantio Direto no Sul do Brasil. Nesses eventos, a programação privilegiava a difusão de tecnologias que viabilizassem a adoção do SPD. Os principais gargalos eram a falta de semeadoras adequadas, a compactação do solo e o controle das plantas daninhas. Para que o sistema se viabilizasse era necessário que, além do controle da erosão, também fosse mantido (ou elevado) o rendimento das culturas. De forma pioneira, a Semeato de Passo Fundo, a Metalúrgica de Ibirubá e a Imasa de Ijuí desenvolveram as primeiras semeadoras de plantio direto no Brasil. Ao mesmo tempo, foram disponibilizados novos e eficientes herbicidas para controle de plantas daninhas. Essas duas tecnologias, aliadas à compreensão da necessidade da produção de palha (especialmente o cultivo de aveia-preta), viabilizaram o SPD.Inúmeros foram os eventos realizados no Sul do Brasil no final da década de 80 e meados do decênio de 90, difundindo tecnologias do SPD aos produtores rurais. Com esse objetivo surge o jornal Plantio Direto, criado pela Aldeia Norte Editora, sob a responsabilidade do engenheiro agrônomo Gilberto Borges. Em 1995, esse jornal foi transformado na Revista Plantio Direto, hoje de responsabilidade de Juliana Borges. A Aldeia Norte Editora, juntamente com a Embrapa Trigo (coordenadora do projeto Metas), realizou o I Seminário Internacional de Sistema Plantio Direto, em Passo Fundo, nos dias 7 a 10 de agosto de 1995. A AgropassoNa década de 90 faltavam na região eventos com demonstração de métodos e, especialmente, a dinâmica de máquinas e equipamentos agrícolas. Apesar da Expointer ser uma grande exposição/feira de máquinas e equipamentos, não havia dinâmica. Em Cascavel, já era realizado com esses objetivos o Show Rural Coopavel, criado em 1989. Também, em São Paulo era realizado o Agrishow desde 1993.Dessa forma, o engenheiro agrônomo e produtor rural Ronald Bertagnolli coordenou a Agropasso, durante a realização da 6ª Efrica, em 1997, com a participação da Faculdade de Agronomia/UPF, Embrapa Trigo, Ministério da Agricultura e Emater. Foram demonstrados 26 implementos agrícolas das indústrias Semeato, Metasa, Imasa, Max, Nogueira, Fitarelli, Mafrense, Fankhauser, Vence Tudo, Sfill, Produmaq, Valmet, Ursus, SLC/John Deere e a indústria química Monsanto. Infelizmente, o excesso de chuva atrapalhou a realização de todas as dinâmicas previstas. No final do evento, Ronald Bertagnoli destacou que "a Agropasso deverá tornar-se uma das maiores feiras dinâmicas do extremo sul, pois Passo Fundo caracteriza-se por ser um polo difusor de tecnologia agrícola". Infelizmente, a ideia foi abandonada pelos promotores das edições seguintes da Efrica.Início da ExpodiretoA Expodireto foi idealizada pelo engenheiro agrônomo Gilberto Borges, com a primeira edição ocorrida no Centro Rural de Ensino Supletivo (RES), em Carazinho, em 1999, através da revista Plantio Direto e Emater-RS, com a participação da Embrapa Trigo, Faculdade de Agronomia/UPF e outras empresas. Na impossibilidade da realização da segunda edição naquele colégio, por razões políticas, Gilberto Borges procurou a UPF, mas não obteve apoio para a realização da mesma em Passo Fundo. Mas, a idéia foi imediatamente aceita pela Cotrijal, graças ao espírito empreendedor de sua diretoria, que fez os investimentos necessários e criou a primeira edição da Expodireto Cotrijal, nos dias 21 a 24 de março de 2000. O evento deu ênfase a difusão de tecnologias nas áreas de novos cultivares/sementes, agroquímicos, fertilizantes, máquinas e equipamentos agrícolas, pecuária de leite, suinocultura e serviços.EvoluçãoNas dez edições realizadas, de 2000 a 2009, o evento transformou-se não só num dos principais do agronegócio brasileiro, mas, com certeza, o mais bem organizado. Evoluiu de uma feira regional para abrangência estadual, depois nacional e, desde a edição 2009, de abrangência internacional, contando com a participação de 36 países naquele ano.O investimento realizado pela Cotrijal, a grandeza do projeto e as parcerias formadas, levaram a que esse evento já nascesse grande. A cada nova edição se supera sob os mais diferentes pontos de vista, como número de expositores, visitantes, qualidade dos estandes, difusão de tecnologias; decisões políticas, dinâmicas de máquinas e equipamentos; integração regional e a importância crescente manifestada pelas autoridades nacionais e internacionais que a visitam, graças a organização e à inovação implementadas em cada nova edição.Conforme a Tabela 1, nas dez edições realizadas passaram um milhão, cento e cinquenta e sete mil e oito pessoas pelas roletas da feira. O número de expositores evoluiu de 114 em 2000 para 326 no ano de 2009, representando um aumento de 286%. Outro aspecto importante da Expodireto é o econômico, pois um significativo volume de negócios é realizado durante o evento ou então realizados posteriormente. As intenções de negócios divulgadas chegaram a R$ 1.487.600 mil. A área de exposições também aumentou de 32 para 84 ha, muito bem ajardinados e com adequada infraestrutura.Tabela 1 – Evolução do número de visitantes, expositores e valor das intenções de negócios, de 2000 a 2009
Ano |
Número de visitantes |
Número de expositores |
Intenções de negócios (milhões) |
2000 |
41.000 |
114 |
21 |
2001 |
71.000 |
172 |
31,6 |
2002 |
96.500 |
227 |
80 |
2003 |
122.850 |
230 |
200 |
2004 |
140.000 |
264 |
230 |
2005 |
117.200 |
278 |
105 |
2006 |
120.800 |
292 |
50 |
2007 |
131.700 |
294 |
145 |
2008 |
153.560 |
313 |
268 |
2009 |
162.470 |
326 |
357 |
Total |
1.157.08 |
- |
1.487,6 |
Fonte: www. expodireto.cotrijal. com.br (acesado em 11/2/2010).Importância A Expodireto retrata o nível tecnológico atual da agricultura regional e nacional, difundindo as tecnologias adequadas ao momento atual e do futuro. Os milhares de produtores que anualmente visitam a exposição têm a oportunidade de aprender vendo as mais diferentes parcelas demonstrativas instaladas pelas cooperativas, universidades, Embrapa, Emater e empresas industriais do setor de insumos, máquinas e equipamentos agrícolas, as dinâmicas de máquinas, bem como através das palestras técnicas programadas.O crescente número de visitantes da Expodireto de outros setores da economia é de fundamental importância na formulação de projetos de desenvolvimento integrado e sustentável. Também é de grande importância o aumento a cada ano que passa de visitantes internacionais, que aqui vêm conhecer o que temos. São oportunidades de negócios que se abrem, propiciando o ingresso de divisas importantes para o desenvolvimento de nosso país. Além dos empregos diretos gerados no campo, empregos indiretos são gerados nas indústrias e nos serviços ligados ao agronegócio.Importância socialUm aspecto importante do evento é o social. Considerando a predominância de pequenas propriedades na região, é de enorme importância a busca de alternativas técnica e economicamente viáveis, objetivando a sustentabilidade das mesmas. Durante as décadas de 70 e 80, o êxodo rural foi maior do que a absorção dessa mão de obra na cidade, gerando uma enorme população de desempregados, o que é a principal causa dos graves problemas sociais hoje observados, como a desnutrição, o alcoolismo e a violência. Isto representa um elevado custo para o setor público, especialmente em relação aos custos de saúde e segurança.A manutenção das famílias no meio rural, em condições dignas, propicia a produção dos alimentos de subsistência pela própria família, permitindo um nível de nutrição melhor do que o dos favelados na área urbana. A comercialização do excedente produzido representa uma renda complementar para a família para a satisfação de outras necessidades.Não há a menor dúvida de que a produção diversificada, seja de produtos vegetais, seja de animais, requer projetos integrados de produção. E neste sentido é da maior importância o fortalecimento do cooperativismo. As cooperativas de produção tem condições de buscar coletivamente o mercado e de reduzir os custos dos insumos, aumentando a rentabilidade da propriedade. Por isso, é altamente louvável a iniciativa da Emater de inaugurar uma casa definitiva, que será utilizada durante o ano inteiro para eventos como cursos treinamentos e encontros. Assim, paulatinamente, Não-Me-Toque torna-se um centro de difusão de tecnologias para a produção vegetal e animal para os produtores da região, atraindo as instituições de pesquisa, extensão rural, assistência técnica, indústria, serviços e agências financiadoras. Também merece destaque a criação do pavilhão da agroindústria familiar, promovendo a diversificação das atividades da pequena propriedade e agregando valor aos produtos de origem vegetal e animal.Busca de uma política agrícolaÀ medida que a população do meio rural diminui, pois com a tecnificação há necessidade de cada vez menos pessoas para realizar o trabalho, o setor perdeu força política. O poder político concentra-se cada vez mais na população urbana, que praticamente desconhece as dificuldades no setor rural. Mesmo considerando os expressivos negócios realizados ao longo das dez edições, a Expodireto já tem como marca entre as lideranças do agronegócio a de ser o principal fórum de discussão dos principais problemas do setor. Da interação, entre os agentes públicos, empresários e produtores rurais estabelece-se a condição indispensável para a discussão dos problemas e a busca das melhores soluções. A longo desses 10 anos, foram discutidos os mais diferentes problemas do setor rural, não importando o tamanho da propriedade ou a forma de exploração. Para lembrar, foram buscadas soluções para problemas como as estiagens de 2004 e 2005, renegociação de dívidas, liberação do cultivo da soja transgênica, redução das taxas de juros, abertura de novas linhas de crédito para aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, entre outros.Tornou-se uma feira de discussão política dos mais importantes temas relacionados ao agronegócio. São tradicionais os eventos paralelos, como o Fórum da Soja, Fórum Estadual do Leite, Seminário nacional de Suinocultura, Conferência Mercosul sobre Agronegócio, Fórum Nacional do Milho, Fórum Florestal, dentre outros. Quanto à importância política da Expodireto, deve ser salientada a participação de ministros ou ex-ministros da Agricultura, como Francisco Sérgio Turra, Marcos Pratini Vinícius de Moraes, Roberto Rodrigues e Reinold Stephanes. Também de governadores, como Olívio Dutra, Germano Rigoto e Yeda Crusius. Em 2009, houve a interiorização da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do sul, além da presença de vários deputados federais.A CotrijalA realização anual da Expodireto Cotrijal promoveu de forma extraordinária a cooperativa promotora, bem como o Município de Não-Me-Toque. Hoje, a Cotrijal tornou-se uma referência nacional do bom cooperativismo, uma forma de associativismo fundamental para os produtores rurais, como forma de organização, mas especialmente, para dar poder de barganha na aquisição de insumos e na comercialização de seus produtos. A cidade de Não-Me-Toque hoje é conhecida praticamente no Brasil inteiro, pois a divulgação do evento pelos jornais, rádios e emissoras de televisão, também divulga a cidade.Influência regionalO evento é tão importante que todas as cidades vizinhas a Não-Me-Toque se beneficiam com evento, que, na verdade, é um turismo de eventos. A comunidade de Victor Graeff, por exemplo, não se conformou em ser uma cidade de passagem dos milhares de participantes da Expodireto. Promove, anualmente, a Festa da Cuca e da Linguiça, retendo, no final da tarde, parte desses "turistas". Trata-se de um exemplar trabalho de voluntários, que, dessa forma, divulgam os produtos tradicionais da colonização alemã e obtêm recursos financeiros importantes para manutenção de programas sociais no município.Passo Fundo também se beneficia muito com a Expodireto. O aeroporto facilita a chegada dos expositores, empresários e autoridades. Os hotéis, têm suas acomodações totalmente ocupadas durante o evento. Os restaurantes também ficam lotados. Há centenas de pessoas de Passo Fundo trabalhando no evento como expositores, recepcionistas, imprensa, transportes, serviços de bar e alimentação, montagem de estandes, floricultura, gráficas, dentre outras atividades.* Engenheiro agrônomo, Licenciado em Ciências, Dr. em Agronomia, consultor em Agronegócio A consolidação do agronegócioUm evento de grande porte, reunindo, em um único espaço, empresas de agroquímicos, fertilizantes, máquinas e equipamentos, armazenagem, serviços, agentes financeiros, ensino, extensão, produção animal, meio ambiente e instituições financeiras, tendo como meta de torná-lo o maior e melhor evento organizado de tecnologias e negócios do país. Esta é a Expodireto, realizada anualmente pela Cotrijal (Cooperativa Tritícola Alto Jacuí Ltda), em Não-Me-Toque, desde o ano 2000. Atualmente é considerada uma das três maiores do Brasil e desde o ano passado ganhou projeção internacional.O formato "exposição-feira", com demonstrações estáticas e dinâmicas, favorece o contato do público com as fontes geradoras de informação e tecnologias de todos os setores do agronegócio. A presença de agentes financeiros possibilita o acesso dos agricultores a linhas de crédito de órgãos oficiais ou empresas privadas. Dessa forma,num mesmo espaço, o agricultor tem condições de conhecer, avaliar e adotar avanços que auxiliam no aumento da produtividade, na solução de problemas específicos, viabilizando a atividade. Durante a décima edição da Expodireto Cotrijal, em 2009, mais de 162,4 mil pessoas passaram pelo Parque de Exposições. O faturamento foi de R$ 357,146 milhões.O lançamento da edição 2010 aconteceu em 8 de fevereiro, no Grêmio Aquático de Carazinho, e contou com a presença do secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio, João Carlos Machado; do superintendente federal da Agricultura no RS, Francisco Signor; do secretário da Ciência e Tecnologia Artur Lorentz; do presidente da Assembleia Legislativa do RS, Giovani Cherini, e outras autoridades.O presidente da feira e da Cotrijal, Nei César Mânica, responde, nesta edição, sobre a evolução da Expodireto, sua história e a importância para o agronegócio brasileiro.Somando: O que motivou o surgimento da Expodireto Cotrijal?Mânica: O evento Expodireto partiu de um projeto-piloto realizado em março de 1999 pela revista Plantio Direto em parceria com a Emater/RS, na área do Centro Rural de Ensino Supletivo – CRES, em Carazinho (RS). O objetivo do evento em sua primeira edição foi a criação e desenvolvimento de um espaço onde o sistema plantio direto e tecnologias relacionadas pudessem ser apresentados ao público. Após a realização da primeira edição, a ideia foi apresentada pela revista Plantio Direto à direção da Cotrijal, que, percebendo o potencial de crescimento de um evento dessa natureza no Rio Grande do Sul, deu sequência ao projeto. Desde o ano 2000, o evento já se realiza na área demonstrativa da cooperativa, em Não-Me-Toque, com um direcionamento diferente e alteração da denominação para Expodireto Cotrijal.O projeto atendeu a um dos principais objetivos da cooperativa em relação aos seus associados: instrumentalizar o agricultor com as ferramentas de que necessita para tornar seu negócio viável do ponto de vista técnico e econômico. Outro desafio foi o de promover um evento de grande porte, reunindo, em um único espaço, empresas de diversos segmentos como agroquímicos, fertilizantes, máquinas e equipamentos, armazenagem, serviços, agentes financeiros, ensino, extensão, produção animal, meio ambiente e instituições financeiras, tendo como meta torná-lo o maior e melhor evento organizado de tecnologias e negócios do Rio Grande do Sul. Somando: E a evolução da feira?Mânica: A Expodireto reúne anualmente mais de 150 mil pessoas que procuram conhecimentos em relação à novas tecnologias, produtos e serviços destinados ao setor agropecuário. Transformar a área num espaço apropriado para sediar o evento exigiu grandes esforços, como a construção de auditório, praça de alimentação, restaurantes, sanitários, redes de telefonia, eletricidade e água potável, sistema de irrigação, calçamento e ajardinamento, entre outros. Com o crescimento do evento houve a necessidade de, já no primeiro ano, ampliar a área do parque. Em 2001 aconteceu a duplicação do espaço, atendendo ao crescente volume de empresas interessadas. Atualmente a Expodireto conta com uma área de 84 hectares. Para atender às diversas demandas houve também a preocupação da cooperativa em viabilizar a participação de empresas e instituições de ensino, pesquisa e extensão e em garantir a presença de instituições financeiras com linhas de crédito especiais para produtores, facilitando a realização de negócios durante o evento. A infraestrutura, a beleza, conforto, praticidade, higiene e segurança do parque de exposições são garantidos por mais de 800 profissionais, distribuídos em equipes que se responsabilizam pelo andamento de todas as atividades antes, durante e depois do evento. Somando: Qual a importância da feira para o agronegócio?Mânica: A Expodireto está situada hoje entre os três principais eventos agrodinâmicos do país, tendo apresentado em dez edições um crescimento sistemático em todos índices de avaliação. O volume de área utilizada cresceu mais de 165% entre 2000 e 2007, passando de 32 para 84 hectares, o que viabilizou a participação de um maior número de expositores nos diversos segmentos que compõem a feira. O número de expositores cresceu proporcionalmente ao sucesso do evento. Em 2000 eram 114 expositores distribuídos nos segmentos de agroquímicos, fertilizantes, máquinas e implementos, armazenagem, serviços, instituições de pesquisa, ensino, extensão, produção animal, meio ambiente e instituições financeiras. Em 2009, este número foi de 326, evidenciando a importância do evento para o agronegócio.Somando: Que inovações a feira traz neste ano?Mânica: A feira internacional do agronegócio está de volta ao cenários das grandes exposições tecnológicas do Brasil. Para 2010, a 11ª Expodireto Cotrijal apresentará novidades e uma projeção promissora para os dias da feira, uma vez que desde novembro de 2009 está toda comercializada e com o caráter internacional cada vez mais presente. Ao longo desses 10 anos a feira apresentou um crescimento gradativo, batendo recordes, e os números registrados no final do ano passado já projetam um evento positivo em 2010. Isso demonstra que ela ocupou seu espaço regional, estadual, nacional e internacional, se consolidando como um dos maiores eventos do agronegócio brasileiro. Isso tudo após um ano de crise econômica mundial. Somando: Expectativas de muitos negócios?Mânica: O objetivo é bater o recorde de vendas durante a exposição. Pelo que as empresas demonstraram na sua vontade de participação, no que vai ser apresentado, com linhas de crédito, nós temos a certeza de que muitos produtos serão comercializados dentro da exposição e vamos buscar novamente bater o recorde de vendas na Expodireto. No ano passado falávamos em R$ 300 milhões e superamos os R$ 360 milhões, apenas considerando números oficiais. A feira também deverá contar com importantes fóruns e debates para o cenário do agronegócio. Destaque para a primeira edição do Seminário da Agroindústria. No dia 15, data de abertura da feira, será realizado o 2° Fórum Nacional do Milho. Também estão programados o 21° Fórum Nacional da Soja, Fórum Estadual do Leite e o Seminário da Suinocultura.
Rentabilidade do milho chega a 30%*Rafael Webber MatteiOs contratos futuros de commodities agrícolas são negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Cada contrato é o representativo da mesma commodity no mercado físico.Neste ano, mais uma vez, os profissionais do agronegócio que conseguiram compreender a importância desta ferramenta estão colhendo bons frutos. Como exemplo, podemos citar o histórico de cotação do contrato de milho com vencimento em março de 2010. Como vemos no gráfico, durante todo o decorrer do contrato houve a oportunidade de "travar" o preço de venda do milho muito acima dos praticados atualmente. Em julho, alguns operadores travaram seus preços a R$ 26,00 a saca, 30% a mais que os preços atuais. Em setembro, época do início do plantio, era possível obter preços entre R$ 21,00 e R$ 22,50 a saca, em média 21% a mais que agora. Entre os meses de julho e setembro, começavam a aparecer os números da safrinha do Mato Grosso, que se confirmou como uma safra recorde, pressionando fortemente os preços. Apesar da redução de área na primeira safra brasileira de milho, o bom andamento do clima traz produtividades nunca antes vistas por alguns produtores, o que também ajuda a manter os preços aos níveis atuais. Os riscos associados às atividades de produção, comercialização e processamento de produtos agropecuários podem ser classificados, resumidamente, em três grupos:Risco de produção – está relacionado à possibilidade de o produtor se defrontar com queda de produtividade em sua lavoura, influenciada por adversidades climáticas ou má utilização de tecnologia, por exemplo. Risco de crédito – está presente nas negociações em que ora o vendedor, ora o comprador fornecem crédito à contraparte. Um vendedor que entrega a mercadoria para recebimento a prazo concede crédito ao comprador. Um comprador que efetua uma operação de troca, fornecendo insumos para receber a mercadoria no momento da colheita, financia o vendedor.Risco de preços – refere-se à probabilidade de ocorrência de prejuízos decorrentes de movimentos adversos de preços.Para gerir o risco de preço, o profissional do agronegócio precisa entender o funcionamento do mercado futuro. Sabendo o custo da lavoura e a sua margem de rentabilidade, através dos contratos futuros é possível ao agricultor ou cerealista dar um preço à produção, não somente esperar os preços subirem após a colheita dos grãos. A função principal dos contratos de commodites agrícolas é o hedge (proteção) para produtores, cerealistas, frigoríficos, torrefadores de café, exportadores, etc. Porém, cada vez mais estão sendo utilizados por fundos e pessoas físicas como instrumentos de investimento, principalmente pelo alto poder de alavancagem.Para poder operar no mercado futuro o cliente precisa fazer um cadastro na BM&F por meio de uma corretora, que, além de transmitir as ordens, tem a função de assessorar os clientes no gerenciamento da posição, fornecendo informações objetivas sobre o mercado, auxiliando na tomada de decisão. Os contratos mais negociados na BM&F são boi, café, soja e milho. * Analista de Negócios da Agroinvvesti Corretora
ExportaçõesJoão Altair Silva/Revista SomandoOs produtos agrícolas representaram 42% do total das exportações brasileiras em 2009, contra 36% em 2008. Para o ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, este aumento não se deve a um crescimento significativo do setor, mas a um decréscimo dos outros em decorrência da crise econômica. Essa participação não era tão grande desde a década de 1960, quando a industrialização do país se acentuou. No ano passado, as exportações foram de US$ 65,8 bilhões, contra US$ 71,8 bilhões em 2008, o que representa uma redução de 9,8%. No entanto, o ministro destaca que estes números não são comparáveis porque houve muita variação do dólar e também do preço dos produtos. Ele chamou a atenção que a queda no volume foi de apenas 0,4%. Para 2010, a estimativa é de um aumento no volume de exportações dos produtos agrícolas entre 5% e 6%. O ministro Reinhold Stephanes acredita que o agronegócio brasileiro poderá conquistar no curto prazo um mercado com potencial de mais US$ 10 bilhões. Para isto já estão programadas 19 missões de negociação sanitárias e fitossanitárias para 25 países. Entre os produtos estão a carne suína, bovina e de aves, além de frutas. O desempenho das vendas no início do ano O total exportado pelo agronegócio no mês de janeiro de 2010 foi de US$ 4 bilhões, apresentando recuo de 1,8% em relação ao mês anterior. A queda é considerada normal devido à safra de soja, que é o principal produto de exportação do Brasil e que ainda não foi colhida. Neste período destacam-se alguns parceiros comerciais importantes, com grande potencial de compras. As vendas para a China, país com a segunda maior população do mundo e que apresenta desenvolvimento econômico acima da média, aumentaram em 148%. Para os Emirados Árabes, onde concentra-se a fortuna do petróleo, as exportações cresceram 55%.As exportações de carne bovina, embora não representem o maior volume, foram as que mais cresceram no início do ano, faturamento de US$ 868 milhões em janeiro. As vendas de açúcar aumentaram 34%, perfazendo um total de US$ 845 milhões no mesmo período. Exportações gaúchas começam em altaO ano começou com crescimento das exportações no Rio Grande do Sul. Em relação a janeiro de 2009, houve um incremento de 19,1%, atingindo US$ 838 milhões em todos os setores. Mais importante é que 98% deste volume correspondem a produtos industrializados, com valor agregado, o que gera emprego e renda no próprio estado. O montante, no entanto, é menor de que o de 2007, que foi de US$ 860 milhões e principalmente o de 2008, que chegou a US$ 1,16 bilhão. O setor químico, especialmente os embarques de polietileno para a Argentina, Bélgica e China, foi o que mais contribuiu no desempenho da balança comercial do Rio Grande do Sul. Os setores de material eletrônico, comunicação, de transporte e de metalurgia também tiveram participação importante.
Safra de preço baixo*Cláudio DóroO desequilíbrio entre a receita e despesa deu origem à crise no agronegócio em 2004. Agora a situação é similar, porém é a diferença entre a oferta e a demanda que está levando temor aos agricultores. A atual safra que está no campo promete ser paradoxal, porque os produtores vão colher bem mas os fundamentos apontam para baixa lucratividade.Com as baixas cotações da soja na bolsa de Chicago (CBOT) e câmbio desvalorizado em relação ao real, os sojicultores iniciaram o ano de 2010 cercados de projeções negativas, por conta da redução da demanda internacional e da elevação da oferta, pela expectativa de safra cheia no Brasil e Argentina e recorde de produção nos Estados Unidos.No Brasil, a colheita poderá ultrapassar em 14% o volume colhido em 2009, que foi de 57 milhões de toneladas, atingindo recorde de 65 milhões de toneladas. Os EUA produziram 91,4 milhões de toneladas, significando 13,25% superior à safra 2008 e, diga-se de passagem, é a maior safra da história. A Argentina deverá dar um salto de 65,62%, passando de 32 milhões de toneladas par 53 milhões de toneladas.Em nível mundial, espera-se um incremento de 42,52 milhões de toneladas de soja, cuja produção deverá passar de 210,86 milhões de toneladas para 253,38 milhões. A demanda deverá crescer em 6%, mas não será suficiente para absorver toda a oferta adicional de soja. Consequentemente, os estoques mundiais aumentarão e exercerão pressão negativa sobre os preços no curto prazo, reduzindo o lucro do sojicultor.A safra de milho que está sendo colhida também passa por ambiente de apreensão. Em 2008 com a crise financeira dos Estados Unidos, que se alastrou pelo mundo, houve restrição e encarecimento do crédito voltado para a agricultura. Já em 2009, o fraco desempenho comercial do milho até meados de julho trouxe reflexos negativos quanto à área de cultivo, com redução de 8% no Rio Grande do Sul, fruto do excesso de oferta no mercado interno brasileiro, baixo volume exportado e pela taxa de câmbio desfavorável, que acabaram enfraquecendo os preços a níveis insustentáveis. E não há fatos novos que justifiquem altas dos preços para os próximos meses de 2010.Sabemos que os fundamentos de consumo interno e mundial do milho continuam fortes e crescentes. No mercado internacional, os Estados Unidos têm no álcool não só uma questão ambiental, mas também, principalmente estratégia de segurança nacional, pois o álcool de milho e parte da matriz energética enquanto que no Brasil o consumo de carnes, especialmente de frangos, continua em ascensão. Assim, tão logo tenhamos escoamento desse excesso de milho no mercado interno, teremos novamente o início do ciclo de reposicionamento dos preços em níveis sustentáveis.Porém, enquanto o mercado não reage, cabe aos produtores rurais monitorar as lavouras, manter o custo de produção atualizado, acompanhar o mercado e nunca esquecer que o processo de formação dos preços começa dentro da porteira, por meio de um bom gerenciamento da propriedade, minimizando o custo de produção, mas nunca perder o foco de obter alta produtividade, pois somente assim poderão compensar os preços baixos.* Engenheiro Agrônomo da Emater/RS-Ascar
Reserva legal: a insustentabilidade do setor produtivo* Luis Carlos HeinzeA pretendida e descabida ampliação das áreas de proteção permanentes (APPs), caminho que o país pretende percorrer, é a contramão da realidade financeira internacional e terá como consequência inevitável a insustentabilidade econômica e social do setor produtivo primário brasileiro. Chamo a atenção para o perigo que está rondando o Brasil neste exato momento.No caso específico do Rio Grande do Sul, que tem uma área de 28,2 milhões de hectares, corre o risco de perder 20% dela, como é o desejo de ONGs internacionais que tentam forçar o governo brasileiro a ceder às suas exigências. O caos que se avizinha vai atingir em cheio as lavouras de fumo, alho, videira e arroz em várzea. Além disso, haverá também uma redução drástica de aviários e pocilgas de, aproximadamente, 30% a 40%, eles estão situados em áreas de declividade ou de preservação permanente. As lavouras de soja e de milho também serão reduzidas em aproximadamente 30%. Ao todo, se isso se concretizar, serão 788 mil gaúchos desempregados e mais de 100 mil propriedades rurais que vão deixar de produzir.A economia brasileira será terrivelmente abalada. Imaginemos da porteira para dentro o grande prejuízo que aguarda o produtor rural. Agora, se olharmos da porteira para fora, vamos de encontro à saúde financeira do país, pois o setor agropecuário é – comprovadamente – o grande responsável pelo saldo da balança comercial brasileira e um dos setores que mais geram empregos. Para se ter uma ideia, a cada posto de trabalho aberto no campo, outros dois são criados na cidade.O fato é que precisamos manter as áreas já consolidadas e uma política séria e responsável que não venha a se curvar diante de uma simples pressão de ONGs internacionais, que insistem em adotar no Brasil as restrições que não querem em seus países de origem. Só no Rio Grande do Sul a perda de área produtiva chegará a 5,6 milhões de hectares, caso tenha de entregar 20% de seu território. Aí, surgem uma constatação e uma indagação: o produtor rural já é penalizado historicamente com a falta de políticas consistentes e não terá como arcar com mais um prejuízo. É preciso deixar claro que APPs e reserva legal têm custos. Aliás, custos altíssimos. Não é brincadeira ambiental. É coisa séria, com danosos reflexos na economia nacional, que não têm a mínima importância para as ONGs, todas estrangeiras, que não exigiram em seus países o que querem impor por aqui.O produtor já pagou o que tinha de pagar. No Rio Grande do Sul, 3,9 milhões de hectares são de APPs, mas agora querem mais 20% para proteção ambiental. Um absurdo sem tamanho e totalmente fora do contexto mundial contemporâneo. No momento em que países do mundo inteiro tentam se unir para combater o desemprego e a fome, aqui no Brasil, inspirado pelo discurso "ambientaloide" de ONGs estrangeiras, o governo pode estar promovendo o desemprego de 20% a 40% dos brasileiros nos próximos anos, caso seja mantida a obrigação do produtor rural averbar 20% das suas propriedades para reserva legal. Pense nisso.* Engenheiro agrônomo, produtor rural e deputado federal
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| 07/09/2010 - 11:30 |
UM ABRAÇO AOS AMIGOS GAÚCHOS DE SANTOS - SP |
SOU DE CARAZINHO-RS, ESTAMOS EM SANTOS - SP, ESCUTANDO A PLANALTO FM VIA INTERNET, MANDO UM ABRAÇO AO AMIGO VANDERLEI, POPULAR FAUSTÃO
JUAREZ DE ABREU COSTA |
| Nome: Juarez de Abreu Costa |
| 05/09/2010 - 11:31 |
familia que ouve |
ola somos uma familia que escuta todos os dias a radio planalto a mais gaucha , a sintonia naõ muda toada a programação é muito respeitada abçs |
| Nome: ari oliveira |
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