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Revista Somando
Revista Somando > Luiz Menezes: poeta e escritor
 
História
Luiz Menezes: poeta e escritor
* Paulo Monteiro
Filho de Franklin Menezes e Carlota Carvalho de Menezes, Luiz Menezes nasceu em Quaraí no dia 20 de maio de 1922 e faleceu na sua cidade natal em 12 de outubro de 2005. A convivência com o modo de produção semifeudal da fronteira rio-grandense da primeira metade do século XX marcou em definitivo sua obra.
A exemplo de tantos outros quaraienses que se destacaram na história literária do Rio Grande do Sul, mudou-se para Porto Alegre. Ali, em 1952, iniciou sua carreira de radialista. Convidado pelo já consagrado poeta Lauro Pereira Rodrigues, passou a integrar a equipe do programa Campereadas na Rádio Gaúcha. Naquela emissora apresentou programas, cantando e interpretando acompanhado por ele mesmo ao violão. Além disso, apresentou programas de radioteatro, escrevendo peças e participando como ator.
Em 1954 escreveu "Piazito Carreteiro". Gravada, contribuiu para aumentar a popularidade do ator,, tornando-se um clássico da música regional gaúcha. Em 1955 se uniu ao uruguaianense Darcy Fagundes (1925 – 22 de junho de 1984) para produzir e apresentar o Grande Rodeio Coringa. O programa, iniciado em 1º de maio daquele ano, ia ao ar das 20 horas às 22 horas. Durante mais de 15 anos foi o programa de maior audiência do rádio sul-rio-grandense, apresentado sempre pela dupla inseparável de radialistas.
Pelo Grande Rodeio Coringa passaram os mais importantes cantores e compositores gaúchos do século passado. Teixeirinha e Mary Terezinha, Gildo de Freitas e Os Irmãos Bertussi, Os Mirins e Os Três Chirus tornaram-se universalmente conhecidos ao divulgarem suas músicas no programa.
O Grande Rodeio Coringa contribuiu para a consolidação do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Nas mansões e nos barracos das grandes cidades; nas sedes e nos galpões das estâncias e fazendas; nos ranchos dos posteiros e nos veículos automotores, tanto no Rio Grande do Sul quanto nos mais diversos pontos da federação, a música e a poesia gauchesca eram acompanhadas e admiradas, sob os elogios de Darcy Fagundes e Luiz Menezes.
Luiz Menezes escreveu diversas letras de música, entre elas "Última lembrança", que se transformou em outro clássico do cancioneiro popular do Sul. Quase todos os conjuntos regionais gravaram-na. O próprio Luiz Menezes gravou 4 LPs e 1 CD. Além disso, foi colunista dos jornais A Hora e Diário de Notícias, de Porto Alegre. Introduziu a milonga, ritmo platino em nosso estado, com a "Milonga de contrabando". Recebeu diversos prêmios por suas atividades culturais. Funcionário público estadual, aposentou-se como diretor do Departamento de Diversões Públicas do Estado do Rio Grande do Sul.
Foi casado com Haydeé Menezes, com quem teve sete filhos. Viúvo, casou pela segunda vez, tendo mais um filho. Aposentado, voltou a residir em sua terra natal, onde foi secretário municipal da Cultura. Ali escrevia uma crônica semanal na Folha de Quaraí, que era apresentada por ele mesmo na Rádio Quarai.
Em vida publicou quatro livros: Tropa amarga (Martins Livreiro – Editor, Porto Alegre, 1982); Além do horizonte (Martins Livreiro – Editor, Porto Alegre, 1986); Chão batido (Martins Livreiro – Editor, Porto Alegre, 1995) e 50 anos de poesia: Antologia poética (Martins Livreiro – Editor, Porto Alegre, 2005). Numa espécie de nota introdutória que escreveu para Tropa Amarga, intitulada "Razão de um livro", assim se expressou quanto à reunião de seus poemas em volume:
"Quando apartei alguns dos meus versos para esta coletânea, não tive a preocupação nem a veleidade de pensar numa obra poético-literária. Jamais me atreveria a tanto.
"Tive, no entanto, o desejo de registrar momentos de uma caminhada marcada de barro e sol. Pois sempre acreditei que o verso é o mate-amargo do canto solitário.
"E tantas vezes mateei solito, que me atrevi a reunir esta tropa orelhana e xucra, para oferecer àqueles que, como eu, costumam matear em silêncio...
Foi por isso. Tão somente por isso."
No segundo livro, em outra "Razão do livro", assim se expressa:
"Quem leu meu primeiro livro, é possível que busque encontrar em Além do Horizonte, a mesma terminologia, os mesmos temas sociais com estórias de ranchos: Suas lutas, mágoas e vicissitudes, que foram a tônica em Tropa Amarga.
"Por certo que os encontrará ao deparar com o homem perdido no asfalto em seu êxodo rural, na busca da urbana e amarga existência, vã esperança dos que sonham Além do Horizonte.
"Apunhalou o campeiro
mais que a desgraça, a derrota;
seus pés descalços, sem botas
já não pisam na flechilha...
"Continuo contando estórias, porque sem estórias eu não existo em versos.
"Por natureza e formação, sempre me enterneceram os lamentos destes seres sofridos e incompreendidos. Gente oriunda do campo ou das cidades interioranas, que apesar de tudo ainda sonham, porque:
"E todos disseram
que além do horizonte
há um mundo tranqüilo
que todos esperam
um dia encontrar...
"Por isso o Além do Horizonte.
"Tão-somente por isso."
Ao confessar que o enternecimento pelas vítimas do êxodo rural, sempre esteve presente nele, por natureza e formação, toca numa característica de muitos poetas da Fronteira Oeste, como Juca Ruivo, Laci Osório e Lila Ripol. Esse enternecimento está presente em tantos outros poetas gauchescos, como Aureliano de Figueiredo Pinto e Lauro Rodrigues, para falar nos mais conhecidos, o que desmente a afirmativa de que a gauchesca seria de todo alienada à vida real do homem rio-grandense.
Cantou os desgarrados dos campos e cidades em versos que ficaram célebres, como os de "A Morte de Pedro Ninguém", um dos poemas gauchescos mais conhecidos e declamados de todos os tempos.

A MORTE DE PEDRO NINGUÉM

Veio a cantiga da noite
na garupa do aguaceiro
cabresteada pelo vento.
Até um relâmpago alçado
andou pateando o espaço
preludiando um temporal...

Mas oigalê como é brabo
este tal de mês de agosto!

A voz do preto Clarindo
veio do fundo do rancho
que se velava o finado:
O Juca, vai lá na venda
e compra dois real de gayeta
e um naco de fumo grande
que a noite vai ser comprida...

Lá fora o céu era negro,
assim como um campo grande
que fora queimado há pouco.

O Juca pediu a bênção
pra seu padrinho Clarindo
e se enfurnou noite a dentro
na direção do bolicho.
Agora só a luz das velas
clareava os rostos sombrios
da peonada no velório
onde o respeito era pouco...

Pois entre risos e ditos
iam se contando causos
de peleias, de carreiras
e de chinas mal-domadas
esquecidos do finado.

E quando o preto Clarindo
compreendendo o desrespeito
pelo coitado do morto,
tirou uma longa tragada,
pigarreou como pensando
para afinal sentenciar:

O homem que nasce pobre
é como um cavalo xucro...
É pealado pela vida
sofre a doma das tristezas
até que um dia se amansa
perde a vontade e a fé...
Depois já sem serventia
morre na beira do alambrado
esquecido... sem ninguém!

Vejam vocês nesta noite,
o Pedro já não existe.
Amanhã se vai o corpo,
pois a alma do coitado
de há muito já estava morta...

Andava assim como andam
miles de guasca sem rumo,
fugindo pelos atalhos
do povoado das taperas.

Bueno total é a vida!
E amanhã será um de nós...

Até a viúva quando saiba
que o pobre Pedro morreu
decerto vai chorar pouco.
Chorar é pra quem tem tempo
e o tempo pra pobre é escasso
pra se lastimar à toa,
quando já não se tem remédio
nem a esperança num cobre.

Livino, me passa a canha
que é pra esquentá o pensamento!

Caramba como faz frio
neste tal de mês de agosto!

Um trovão rolou no espaço.
E a chuva seguiu cantando
no funeral da saudade...

Saudade? Ora, saudade!
A saudade não tem tempo
de chorar Pedro ninguém!!

Faleceu no dia 12 de outubro de 2005. Sua morte repercutiu nacionalmente. Na tribuna do Senado Federal, o senador gaúcho Paulo Paim resumiu a importância da obra do poeta quaraiense com estas palavras: "Luiz Menezes é uma verdadeira legenda no cancioneiro popular gauchesco, um dos mais importantes poetas da nossa terra".
ÚLTIMA LEMBRANÇA

Eu hei de amar-te sempre, sempre além da vida.
Eu hei de amar-te muito além do nosso adeus.
Eu hei de amar-te com a esperança já extinguida
De que meus lábios possam ter os lábios teus.

Quando eu morrer, permita Deus que nessa hora
Ouças ao longe o cantar da cotovia.
Será minha alma que num canto triste chora
E nessa mágoa o teu nome pronuncia.

Eu viverei eternamente nos cantares
Dos pobres loucos que dos versos fazem o ninho.
Eu viverei para glória dos pesares
Onde quase sucumbi nos teus carinhos.

Eu viverei no violão que à noite tomba
Ante a janela da silente madrugada.
Eu viverei como uma sombra em tua sombra,
Como poesia em teu caminho derramada,

Pois nem o tempo apagará nossos amores
Que floresceram de ilusão febril e mansa.
Quando eu morrer, eu viverei das tuas dores,
Pois te levando em minha última lembrança.

Luiz Menezes cantou o amor em muitos versos. Boa parte deles musicados foram cantados em programas de rádio e CTGS, contribuindo para aumentar a fama do poeta.

* Presidente da Academia Passo-fundense de Letras e membro do Instituto Histórico de Passo Fundo

 
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31/08/2010 - 08:55
Baita trova
Parabéns a Planalto por continuar cultivando as nossas tradições com os programas ao vivo e com as Trovas nos progamas de sexta terça e domingo!!E viva o Mi maior de Gavetão!!abraços!!
Nome: Baltasar Monteiro
25/08/2010 - 12:28
LOCUTOR
AMIGO LOCUTOR, BOM DIA UM ABRAÇÃO DO RECIFE. OUÇO TODOS OS DIAS SEU PROGRAMA. SOU DE PORTO VELHO, RONDONIA E MORO UM TEMPÃO NO RECIFE. TENHAS UM BOM DIA TCHê



PROFª LEONILDO BEZERRA
Nome: LEONILDO BEZERRA
 
   
 
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